🧮 COMO CALCULAR FRETE

Como Calcular Frete de Carreta: Fórmula Completa com Exemplos Reais

📅 Junho de 2025 ✍️ Equipe RealFrete ⏱️ 10 min de leitura

Calcular frete de carreta sem uma metodologia clara é como dirigir no escuro sem farol — você pode até chegar ao destino, mas o risco de acidente financeiro é alto. Muitos motoristas de carreta aceitam fretes baseados em "feeling" ou no que o colega cobra, e só percebem que estão no prejuízo quando já rodaram centenas de quilômetros.

A verdade é que uma carreta trucada tem custos operacionais muito superiores a um caminhão toco ou truck. O consumo de diesel é maior, os pneus custam mais, a manutenção é mais cara e os pedágios são mais altos. Todos esses fatores precisam entrar no cálculo antes de você dizer "topo".

Neste guia completo você vai aprender a fórmula exata para calcular frete de carreta, com exemplos de rotas reais, tabela de referência de custos e como comparar o resultado com a tabela ANTT para garantir que está dentro da lei e no lucro.

O Que Entra no Custo de uma Carreta

Antes de aplicar qualquer fórmula, é fundamental entender que os custos de uma carreta se dividem em duas categorias principais: custos variáveis (que mudam conforme a km rodada) e custos fixos (que existem todo mês, independente de você rodar ou não).

Custos Variáveis (por km rodado)

Custos Fixos (mensais)

💡 Regra prática: Para uma carreta rodando 10.000 km/mês, os custos fixos representam R$ 0,30 a R$ 0,60 por km. Ignorá-los é o maior erro de um caminhoneiro autônomo.

A Fórmula Passo a Passo

A fórmula completa para calcular o preço mínimo de um frete de carreta é:

📐 Fórmula do Frete de Carreta

Preço Mínimo = (Custo Total da Viagem) ÷ (1 − Margem de Lucro Desejada)

Onde: Custo Total = Diesel + Pedágio + Manutenção proporcional + Retorno vazio (se houver) + Custos fixos proporcionais

Passo 1 — Calcule o custo do diesel

Custo do diesel = (Distância total ÷ Consumo médio) × Preço do litro

Exemplo: 1.000 km ÷ 3,0 km/L × R$ 6,40/L = R$ 2.133

Se houver retorno vazio, dobre a distância: 2.000 km ÷ 3,0 × R$ 6,40 = R$ 4.267

Passo 2 — Some os pedágios

Consulte os pedágios da rota (ida e volta, se necessário). Para rotas SP–MT como BR-364, os pedágios de ida+volta podem ultrapassar R$ 600 para uma carreta. Existem aplicativos e sites que calculam pedágios por rota automaticamente.

Passo 3 — Inclua manutenção proporcional

Uma provisão segura é R$ 0,20 a R$ 0,30 por km para cobrir pneus, filtros, correias e manutenção geral. Para 1.000 km: R$ 250.

Passo 4 — Adicione custos fixos proporcionais

Se seus custos fixos mensais são R$ 4.000 e você roda 10.000 km/mês, o custo fixo por km é R$ 0,40. Para 1.000 km: R$ 400.

Passo 5 — Aplique a margem de lucro

Com todos os custos somados, aplique a margem de lucro. Para uma margem de 25%: Preço mínimo = Custo total ÷ 0,75

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Exemplo Real: São Paulo → Cuiabá

Vamos aplicar a fórmula em uma rota real e muito comum no Brasil: São Paulo (SP) até Cuiabá (MT), pela BR-163, com distância de aproximadamente 1.720 km.

ItemCálculoValor
Diesel (ida) — 1.720 km ÷ 3,0 km/L × R$ 6,40573 L × R$ 6,40R$ 3.667
Diesel (retorno vazio)1.720 km ÷ 3,2 × R$ 6,40R$ 3.440
Pedágio (ida + volta)Estimativa BR-163R$ 680
Manutenção (R$ 0,25/km × 3.440 km)R$ 860
Custos fixos proporcionaisR$ 0,40/km × 1.720 kmR$ 688
Custo TotalR$ 9.335
Preço Mínimo (margem 25%)R$ 9.335 ÷ 0,75R$ 12.447
Equivalente por km (carga)R$ 12.447 ÷ 1.720R$ 7,24/km

Portanto, para esse frete valer a pena com 25% de margem, você precisaria receber pelo menos R$ 12.447 ou R$ 7,24 por km com carga. Qualquer valor abaixo disso reduz a margem ou coloca você no prejuízo.

Tabela de Custos de Referência para Carreta

Os valores abaixo são referências médias para uma carreta trucada em condições normais de operação no Brasil. Use como ponto de partida e ajuste com os dados reais do seu caminhão.

ComponenteValor médioObservação
Consumo de diesel (rodovia plana)2,8–3,2 km/LCom carga plena
Consumo de diesel (rodovia com serra)2,2–2,6 km/LSP-RJ, SC-PR
Pneus (12 pneus, 120.000 km cada)R$ 0,18–0,25/kmPneu médio R$ 2.200
Manutenção geral preventivaR$ 0,10–0,18/kmFiltros, óleo, freios
Seguro do veículo (mensal)R$ 900–2.200Varia por valor do caminhão
IPVA (médio, por mês)R$ 250–600Depende do estado e valor
RCTR-C (seguro de carga)0,05–0,15% do valor da cargaPor viagem

Comparação com a Tabela ANTT

A tabela ANTT (Resolução nº 5.867/2019) define o Piso Mínimo de Frete (PMF) — o valor mínimo legal que o embarcador deve pagar ao transportador. Conhecer esses valores é fundamental para não aceitar frete abaixo do piso.

Tipo de CargaPiso ANTT (R$/km)Ajuste para carreta
Carga GeralR$ 3,29+15% para eixos extras
Granel SólidoR$ 2,95Verificar tabela por eixo
Granel LíquidoR$ 3,44
FrigorificadaR$ 4,29+custo do refrigerador
Carga PerigosaR$ 4,39+seguro adicional

No exemplo SP–Cuiabá acima, o piso ANTT para carga geral seria 1.720 km × R$ 3,29 = R$ 5.659. Como nosso cálculo real chegou a R$ 12.447 de preço mínimo viável, o piso ANTT estaria muito abaixo do necessário para lucrar nessa rota com retorno vazio.

Isso mostra que a tabela ANTT é um piso legal, mas não necessariamente lucrativo. Você precisa calcular seus custos reais para saber o quanto realmente precisa cobrar.

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Compare o frete oferecido com a tabela ANTT

A calculadora ANTT do RealFrete mostra em segundos se o valor oferecido está acima ou abaixo do piso legal para a sua rota.

Erros Comuns no Cálculo do Frete de Carreta

Depois de anos analisando dados de fretes no Brasil, identificamos os erros mais frequentes que levam caminhoneiros a aceitar fretes ruins:

1. Esquecer o retorno vazio

Este é o erro mais caro. Em rotas como São Paulo → Norte e Nordeste, o retorno vazio é muito comum. Não incluir o diesel e pedágio do retorno no cálculo pode transformar um frete "bom" em prejuízo real.

2. Usar o consumo do fabricante, não o real

Manuais dizem 3,5 km/L. Na prática, com carga plena e serras, pode ser 2,5 km/L. Sempre calcule com base no consumo real do seu caminhão.

3. Ignorar custos fixos

Seguro, IPVA e financiamento existem mesmo quando você está em casa. Se você não diluí-los no preço do frete, está trabalhando de graça para cobri-los.

4. Aceitar frete "para não ficar parado"

Frete abaixo do custo não é melhor que ficar parado — é pior. Quando você aceita frete barato, paga do próprio bolso para trabalhar. Às vezes vale mais a pena esperar um frete bom do que rodar no prejuízo.

5. Não verificar a tabela ANTT

Muitos embarcadores oferecem valores abaixo do piso mínimo legal. Use a Calculadora ANTT do RealFrete para verificar antes de aceitar.

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Perguntas Frequentes

Para calcular frete de carreta por km, some o custo do diesel (distância ÷ km/litro × preço/litro), pedágio total da rota, manutenção proporcional (~R$ 0,25/km) e, se houver retorno vazio, dobre a distância de combustível e pedágio. Divida tudo pela distância com carga e adicione sua margem de lucro (mínimo 20%). O resultado é o preço mínimo por km que você deve cobrar.
Uma carreta trucada (6×4 ou 6×2) com carga plena consome entre 2,5 e 3,5 km/litro dependendo do tipo de carga, terreno e condução. Em rodovias planas com carga média, a média gira em torno de 3,0 km/litro. Em subidas ou cargas pesadas pode cair para 2,2 km/litro. Sempre use o consumo real do seu caminhão para calcular com precisão.
Pela tabela ANTT (Resolução nº 5.867/2019), o piso mínimo para carga geral com caminhão trucado ou bitrem é de R$ 3,29/km. Para cargas especiais (frigorificadas, perigosas) os valores são mais altos. Cobrar abaixo desse piso é infração para o embarcador, mas não para o transportador.
O custo fixo mensal inclui: parcela do financiamento, seguro do veículo e carga, IPVA e licenciamento proporcionais, manutenção preventiva e pneus (provisionamento de R$ 1.500 a R$ 3.000), e pró-labore do motorista. Esses custos existem mesmo quando o caminhão não sai da garagem.
O custo do retorno vazio é: (distância de retorno ÷ km/litro) × preço do diesel + pedágio do retorno. Esse valor deve ser somado aos custos do frete de ida para determinar o preço mínimo viável. Muitos motoristas erram ao não incluir o retorno no cálculo.
A tabela ANTT define o Piso Mínimo de Frete (PMF) — valor mínimo legal que o embarcador deve pagar. Se o frete oferecido está abaixo do PMF, o embarcador está cometendo infração. Use a calculadora ANTT do RealFrete para verificar rapidamente.
Os erros mais comuns são: (1) esquecer o retorno vazio; (2) não incluir pedágios de retorno; (3) usar consumo de diesel irreal; (4) não provisionar manutenção e pneus; (5) calcular só os custos variáveis e ignorar os fixos; (6) aceitar frete abaixo do piso ANTT por falta de informação.